IBS, CBS, cClassTrib e sete anos de transição. O guia para entender o que a reforma pede do seu sistema, sem juridiquês.
A Reforma Tributária troca cinco tributos sobre o consumo por três, e a mudança passa pela nota fiscal. Por isso ela chega primeiro no ERP: é o sistema que calcula o tributo, emite o documento e alimenta a apuração. Este guia mostra o que muda, em que ordem, e o que a sua empresa precisa ajustar.
A reforma em uma tela
Saem PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS. Entram três tributos:
| Novo tributo | Substitui | Quem cobra |
|---|---|---|
| CBS — Contribuição sobre Bens e Serviços | PIS e Cofins | União |
| IBS — Imposto sobre Bens e Serviços | ICMS e ISS | Estados e municípios, via Comitê Gestor |
| Imposto Seletivo | Parte do IPI | União, sobre produtos prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente |
A base legal é a Emenda Constitucional 132/2023, regulamentada pela Lei Complementar 214/2025.
O calendário da transição
| Ano | O que acontece |
|---|---|
| 2026 | Ano de teste. A nota sai com CBS de 0,9% e IBS de 0,1%, sem recolhimento para quem cumpre as obrigações acessórias. Os tributos atuais continuam valendo |
| 2027 | PIS e Cofins acabam e a CBS passa a ser cobrada. O Imposto Seletivo começa. O IPI vai a zero, com exceção dos produtos da Zona Franca de Manaus |
| 2029 a 2032 | ICMS e ISS diminuem ano a ano, dando lugar ao IBS: restam 90%, 80%, 70% e 60% |
| 2033 | ICMS e ISS acabam. IBS e CBS passam a ser os únicos tributos sobre o consumo |
Em 2026 os documentos fiscais entram em quatro ondas (Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 4, de 30/07/2026):
| Data | Documentos |
|---|---|
| 03/08/2026 | NF-e, NFC-e, CT-e, MDF-e — empresas de Lucro Real e Presumido |
| 01/10/2026 | NFS-e — prestadores de serviço |
| 01/12/2026 | Documentos específicos: energia, gás, plataformas, condomínios |
| 01/01/2027 | Simples Nacional e MEI, importação, combustíveis |
O que muda na nota fiscal
Cada item da nota passa a informar a CST do IBS e da CBS e um código novo: o cClassTrib, a classificação tributária. Ele diz como os novos tributos se aplicam àquele item — tributação integral, redução, isenção ou diferimento — e depende do produto, da operação e de quem compra e quem vende.
Um detalhe muda a leitura do risco. Em 31/07/2026, a Receita e o Comitê Gestor suspenderam, sem data para retomar, as regras que rejeitariam a nota sem os campos novos. Hoje a nota sai mesmo incompleta, mas isso não quer dizer que está em conformidade: o próprio ato diz que a flexibilização "não afasta a obrigação de adequação". O risco de 2026 não é ter a nota rejeitada. É perder a dispensa de recolhimento e descobrir isso quando a validação voltar.
O que o ERP precisa fazer
- Atualizar a versão. Os campos novos só existem nas versões recentes do ERP.
- Revisar os cadastros. cClassTrib, CST, NCM e tipos de operação, item a item.
- Revisar as customizações. Toda regra fiscal escrita em código precisa ser lida de novo.
- Ajustar as integrações. E-commerce, WMS, contabilidade, bancos: tudo o que troca dado fiscal com o ERP.
- Testar a convivência. Até 2033 os dois regimes andam juntos, e as alíquotas mudam a cada fase.
As frentes 2 e 5 todo mundo encara. As frentes 1, 3 e 4 variam muito de empresa para empresa, e é nelas que o custo muda de tamanho.
Onde a conta cresce
A diferença está em onde mora a regra fiscal. No ERP tradicional, ela mora no código: cada mudança de lei vira pacote do fornecedor, horas de consultoria e novo teste. A Nota Técnica 2025.002, que define os campos novos da NF-e, já está na quarta versão. Quando a regra mora na configuração de um motor fiscal, a mudança de lei vira uma tarefa, e não um projeto.
Se a sua empresa usa Protheus e já recebeu a proposta de adequação, fizemos a conta aqui.
Adequar ou trocar de ERP?
Adequar costuma ser a decisão certa quando o sistema atende a operação, o custo da adequação é conhecido e há pouca customização fiscal.
Vale avaliar a troca quando a sustentação do sistema já pesa todo ano, a regra fiscal está em código ou a versão atual não recebe mais atualização.
E sobre o prazo: não se troca de ERP com segurança às pressas. O caminho mais comum é adequar o sistema atual para atravessar 2026 e planejar a troca com calma, com janela de convivência e plano de contingência. Nos projetos de substituição de legado que conduzimos, a economia no custo recorrente foi de pelo menos 50%.
Como a oDox trabalha
A oDox é especialista em implantação de Odoo Enterprise, em Curitiba. Implantamos o fiscal brasileiro no motor da Avalara e trabalhamos por fases, com escopo fechado em cada uma. Somos Gold Partner Odoo desde abril de 2024 e Partner Avalara, premiados como Best Starter Americas no Odoo Awards 2024, avaliados entre os parceiros iniciantes das Américas por vendas, certificações e retenção de clientes. Em 11/08/2026: 68 projetos entregues, 32 clientes ativos e 487 usuários de Odoo em produção.
Perguntas frequentes
Quando a Reforma Tributária começa a valer para as empresas?
Em 2026, em fase de teste: a nota já sai com IBS e CBS, sem recolhimento para quem cumpre as obrigações. A cobrança da CBS começa em 2027 e a transição termina em 2033.
O que é cClassTrib?
É o código de classificação tributária de cada item da nota. Ele diz como o IBS e a CBS se aplicam àquele produto ou serviço naquela operação.
Minha nota vai ser rejeitada sem os campos de IBS e CBS?
Hoje não: as regras de rejeição estão suspensas. Mas a obrigação de preencher continua, e é ela que garante a dispensa de recolhimento em 2026.
Quer saber o que a reforma muda no seu ERP?
Uma conversa de diagnóstico: você sai sabendo o que precisa adequar e quanto isso custa.